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Rondônia aumenta em 21% gastos com sistema prisional em 2025, aponta levantamento

Estado teve uma das maiores altas nas despesas penitenciárias entre os estados, enquanto investimentos em políticas para egressos continuam concentrados em poucas unidades da Federação

Cidade: Alta Floresta d'OesteRedação

Os gastos dos estados brasileiros com o sistema prisional recuaram em 2025, mas Rondônia seguiu na contramão da tendência nacional e aumentou em 21% as despesas com o setor, segundo a edição mais recente do Funil de Investimentos da Segurança, levantamento elaborado pelo instituto Justa e divulgado nesta quinta-feira (17).

Em todo o país, os estados gastaram R$ 22,3 bilhões com o sistema prisional no ano passado, ante R$ 22,8 bilhões em 2024. Em 2023, as despesas haviam somado R$ 21,5 bilhões. Os valores foram corrigidos pela inflação para permitir a comparação entre os anos.

Rondônia aparece entre as maiores altas

Rondônia registrou o quarto maior aumento percentual nas despesas com o sistema prisional entre 2024 e 2025.

O maior crescimento foi registrado no Tocantins, com 89%, seguido por Alagoas, com 38%, e Goiás, com 23%. Rondônia aparece na sequência, com 21% de aumento.

O crescimento dos gastos ocorre em um cenário de expansão da população carcerária brasileira. Dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) apontam que o país chegou a 727,8 mil pessoas presas, o maior número desde o segundo semestre de 2019, quando havia 731 mil detentos.

Investimento em egressos continua baixo

Apesar do aumento da população prisional e das despesas com o sistema, o levantamento aponta dificuldades dos estados para financiar políticas destinadas às pessoas que deixam a prisão.

Em 2025, foram destinados R$ 19 milhões a iniciativas de apoio a egressos do sistema prisional. No ano anterior, o valor havia sido de R$ 18 milhões.

Os recursos estão concentrados principalmente em São Paulo, que sozinho respondeu por R$ 13 milhões do total. Depois aparecem Ceará, com R$ 3,8 milhões; Mato Grosso, com R$ 781 mil; e Bahia, com R$ 482 mil.

Além desses estados, o levantamento identificou investimentos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe. O Acre não apresentou os dados solicitados. Segundo o Justa, os demais estados não registraram despesas na área.

Políticas fazem parte do Pena Justa

A reintegração de pessoas que deixam o sistema prisional é uma das frentes previstas no Pena Justa, plano elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a existência de um chamado “estado de coisas inconstitucional” no sistema prisional brasileiro.

O plano estabelece mais de 300 metas, com prazo de cumprimento até 2027, envolvendo diferentes aspectos do sistema penitenciário.

Entre as medidas estão o controle de vagas para combater a superlotação, ampliação do acesso a estudo e trabalho, melhorias de infraestrutura, higiene, saúde e alimentação, além da valorização dos servidores penais e da criação de políticas de reintegração para quem deixa a prisão.

Segundo o Justa, porém, não houve mudança significativa no volume nacional de recursos destinados especificamente às políticas para egressos.

Os programas existentes incluem serviços de apoio social, que auxiliam ex-detentos na regularização de documentos, busca por moradia e emprego e acesso a atendimento psicológico.

Estados gastaram R$ 103,5 bilhões com forças de segurança

O levantamento também analisou os gastos estaduais com as Polícias Militares, Polícias Civis, Polícias Penais e Polícias Técnico-Científicas.

Nas 26 unidades federativas analisadas, as despesas dessas forças chegaram a R$ 103,5 bilhões em 2025.

As Polícias Militares receberam a maior parcela, com R$ 60,7 bilhões, equivalente a 58,6% do total. As Polícias Civis receberam R$ 22,2 bilhões, enquanto as Polícias Técnico-Científicas ficaram com R$ 2,8 bilhões.

Os números se aproximam dos apresentados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo o anuário, o Brasil desembolsou R$ 163,1 bilhões em segurança pública em 2025, considerando União, estados e municípios. O valor representa crescimento de 2,1% em relação aos R$ 159,8 bilhões registrados em 2024.

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