Tecnologia para implantação de áreas verdes
Uma tecnologia que utiliza água, sementes e insumos para transformar terrenos em áreas verdes foi apresentada durante a 2ª AGROTEC, realizada em Porto Velho. A novidade foi tema de entrevista no RuralCast, podcast do Grupo Amazun, transmitido pelo canal Olá Rondônia.
O convidado Kleber de Carvalho, da Grama Express Rondônia, explicou ao apresentador Inácio Rocha como funciona a hidrossemeadura, técnica popularmente conhecida como “grama líquida”.
Diferentemente do método convencional, que utiliza placas de grama transportadas e posicionadas sobre o terreno, a hidrossemeadura aplica sementes e outros componentes por meio de um equipamento de hidrojateamento.
“A gente usa a água e mistura todos os insumos. O produto vai dentro do equipamento e é jogado diretamente no solo”, explicou Kleber.
O método pode ser utilizado em residências, empresas, condomínios, propriedades rurais, áreas públicas e terrenos que necessitam de recuperação vegetal.
Como funciona a “grama líquida”
O processo começa com a avaliação da área que receberá a vegetação. As condições do solo ajudam a definir quais sementes e insumos serão necessários para o desenvolvimento do gramado.
Depois da análise, os componentes são misturados com água dentro do equipamento. A solução é aplicada sobre a terra por uma mangueira, em um processo visualmente semelhante à pintura de uma superfície.
“É um tipo de grama jogada por meio do hidrojateamento. É como se a gente estivesse pintando a terra”, comparou o empresário.
A mistura aplicada contém os materiais necessários para iniciar a germinação. Conforme Kleber, em condições favoráveis e com os cuidados adequados, as primeiras sementes podem começar a germinar em aproximadamente três dias.
“Depois do hidrojateamento, em média, com três dias a semente começa a germinar. Ela começa a brotar e o verde já aparece”, afirmou.
A formação completa do gramado depende de fatores como tipo de semente, preparação do solo, clima, incidência solar e irrigação.
Alternativa às placas de grama
No sistema convencional, o consumidor compra placas já formadas, contrata mão de obra para instalação e precisa manter a irrigação durante o período de adaptação. Na hidrossemeadura, a aplicação é feita diretamente no local, reduzindo o transporte e a movimentação de grandes volumes de placas.
Kleber afirmou que sua proposta não é vender apenas a grama, mas entregar uma solução tecnológica e acompanhar o processo de formação do gramado.
“Eu costumo dizer que não estou vendendo uma grama. Estou vendendo tecnologia e praticidade para o cliente”, declarou.
O equipamento pode permanecer estacionado em frente ao imóvel, enquanto uma mangueira leva a mistura até áreas mais afastadas, incluindo fundos de quintais e espaços de acesso limitado.
“A gente encosta o equipamento na frente da residência e, com a mangueira, consegue chegar até o fundo do quintal para fazer o hidrojateamento”, explicou.
Segundo o empresário, o processo reduz a movimentação de materiais dentro do imóvel e torna a execução mais organizada.
Diferentes espécies de grama
A hidrossemeadura permite trabalhar com diferentes tipos de sementes, selecionados conforme a finalidade da área, o clima e as condições do terreno.
Durante a entrevista, Kleber citou variedades como Batatais, Pensacola, Cuiabana e Bermuda. A escolha deve considerar características como resistência, velocidade de crescimento, necessidade de manutenção e adaptação ao ambiente.
“A hidrossemeadora trabalha com diversos tipos de sementes”, destacou.
Para áreas residenciais e comerciais, o objetivo pode ser a formação de um gramado visualmente agradável. Já em terrenos inclinados, margens, barrancos e taludes, a prioridade pode ser a cobertura rápida do solo e o controle da erosão.
Controle de erosão e proteção de taludes
Além do paisagismo, a tecnologia pode ser utilizada para estabelecer vegetação em áreas sujeitas ao desgaste provocado pela chuva, pelo vento e pelo escoamento da água.
Kleber explicou que existem sementes destinadas especificamente à formação de raízes que ajudam a estabilizar o terreno.
“Também trabalhamos com vegetação para controle de erosão e taludes. Às vezes, a pessoa tem um sítio com um barranco na beira do rio que está desmoronando. A gente faz a análise e verifica o que aquela área precisa”, afirmou.
A cobertura vegetal protege a superfície, reduz o impacto direto da chuva e contribui para manter o solo no local.
“Tem vegetação própria para o controle da erosão. A raiz segura o solo e ajuda a proteger o barranco”, acrescentou.
A aplicação pode atender propriedades rurais, obras de infraestrutura, margens de estradas, loteamentos e áreas que passaram por movimentação de terra.
Análise do solo orienta aplicação
Antes de definir a mistura utilizada no equipamento, a empresa verifica as características do terreno. Essa avaliação permite identificar quais nutrientes já estão presentes e quais insumos precisam ser adicionados.
Segundo Kleber, não existe uma composição única para todas as áreas. O sistema deve ser adaptado às condições encontradas.
“A gente faz uma análise do solo, verifica o terreno e identifica o que precisa. Às vezes, há um insumo que não precisa ser utilizado porque o solo já possui os nutrientes necessários”, explicou.
Essa personalização evita aplicação desnecessária de componentes e contribui para melhorar as condições de germinação e crescimento.
Irrigação é decisiva nos primeiros dias
A disponibilidade de água é um dos principais cuidados após a aplicação. O calor intenso de Rondônia exige atenção especial durante o período inicial de germinação.
De acordo com Kleber, os primeiros 14 dias são determinantes para o desenvolvimento das sementes. Dependendo das condições climáticas, pode ser necessário manter uma rotina regular de irrigação.
“Principalmente nos primeiros 14 dias após a aplicação, a semente precisa de água para germinar”, ressaltou.
Para facilitar esse cuidado, a Grama Express pode instalar um sistema provisório de irrigação. O cliente fica responsável apenas por ligar e desligar o equipamento conforme a orientação recebida.
“Eu preciso garantir para o meu cliente que essa grama vai dar certo. Por isso, deixamos o sistema de irrigação instalado para que ele tenha apenas o trabalho de ligar e desligar”, declarou.
Após aproximadamente 14 ou 20 dias, a equipe retorna para recolher os materiais e verificar a evolução do gramado.
Acompanhamento até a formação do tapete
O atendimento não termina com o hidrojateamento. Kleber destacou que a empresa oferece acompanhamento durante o período de germinação e desenvolvimento das sementes.
A equipe realiza visitas para verificar se o terreno está recebendo água suficiente, identificar possíveis ajustes e orientar o cliente.
“Temos uma equipe de pós-venda que vai constantemente ao local para verificar o desenvolvimento e entender se alguma coisa precisa ser melhorada”, explicou.
O acompanhamento também permite que a própria empresa avalie o desempenho da tecnologia nas condições climáticas de Rondônia e aperfeiçoe seus procedimentos.
Pagamento acompanha desenvolvimento da grama
A Grama Express adotou uma forma de pagamento vinculada às etapas do serviço. O cliente paga uma parte no início, outra quando as sementes germinam e o restante depois que o gramado está formado.
“O cliente paga uma parte, outra quando a semente germina e o restante quando o tapete de grama está formado”, explicou Kleber.
Segundo o empresário, o modelo oferece mais segurança para o consumidor, que acompanha o resultado antes de concluir o pagamento.
A proposta também diferencia o serviço do sistema convencional, no qual o comprador geralmente precisa pagar antecipadamente pelas placas e contratar separadamente a instalação.
Produtos pensados para segurança dos aplicadores
Kleber também abordou a composição dos insumos utilizados na aplicação. Segundo ele, os materiais são desenvolvidos por uma indústria com acompanhamento de profissionais da área química.
O empresário ressaltou que a segurança dos operadores e dos clientes é uma das preocupações do sistema.
“É uma tecnologia inovadora e os produtos utilizados não são tóxicos para o operador”, afirmou.
A empresa responsável pelo desenvolvimento do equipamento e dos insumos também realiza estudos relacionados à sustentabilidade e aos benefícios proporcionados pela cobertura vegetal.
Inovação trazida para Rondônia
A ideia de trabalhar com hidrossemeadura surgiu após uma viagem realizada por Kleber a São Paulo. Na ocasião, ele conheceu uma feira e entrou em contato com representantes da indústria responsável pela fabricação do equipamento e dos insumos.
“Eu conheci o pessoal da empresa que fabrica o equipamento e os insumos. Fiquei apaixonado de cara pela tecnologia da grama líquida”, contou.
Após o primeiro contato, o empresário iniciou um período de planejamento e busca de recursos para trazer a novidade a Rondônia.
“Eu já tinha visto na internet, mas muita gente olha e acha que não é verdade. Comecei a trabalhar junto à indústria e conseguimos trazer o equipamento”, relatou.
Antes de ingressar nesse novo segmento, Kleber já atuava na construção civil, especialmente em obras e reformas. A experiência ajudou a identificar a demanda por soluções práticas para paisagismo e recuperação de terrenos.
Serviço pode atender toda a Região Norte
A Grama Express Rondônia foi estruturada para atender municípios de todo o estado. Como o equipamento pode ser transportado em caminhão, a empresa também avalia serviços em outras unidades da Região Norte.
“Estamos em Rondônia atendendo todo o estado. Já recebemos propostas para Manaus, Roraima e Acre”, informou.
A mobilidade permite levar a hidrossemeadura a propriedades rurais, obras, residências, empresas e projetos de paisagismo em diferentes localidades.
A expansão dependerá da dimensão das áreas, da logística de transporte e das necessidades de cada contrato.
Construção civil e sustentabilidade
A entrevista também abriu espaço para uma discussão sobre as inovações presentes na construção civil. Kleber avaliou que Rondônia já conta com materiais e sistemas modernos, mas ainda existe espaço para ampliar a utilização de soluções sustentáveis.
Entre os exemplos citados estão o reaproveitamento da água, presença de áreas verdes em condomínios, paisagismo integrado às edificações, reciclagem de resíduos das obras e adoção de novos sistemas construtivos.
“Na construção civil existe muita inovação. Temos condomínios trabalhando com reúso de água, mais paisagismo e áreas verdes”, observou.
Para o empresário, a hidrossemeadura pode contribuir com esse movimento ao facilitar a implantação de gramados e ampliar a cobertura vegetal nos projetos.
AGROTEC aproxima inovação e mercado
A presença da Grama Express na 2ª AGROTEC permitiu que produtores rurais, empresários, profissionais da construção civil e visitantes conhecessem a tecnologia em funcionamento.
Durante a feira, a empresa realizou demonstrações de hidrojateamento e mostrou ao público como a mistura é aplicada sobre o terreno.
A participação reforçou o papel da AGROTEC como ambiente de divulgação de tecnologias capazes de atender tanto o campo quanto as áreas urbanas.
Ao apresentar a hidrossemeadura, Kleber de Carvalho mostrou que a inovação pode oferecer soluções para paisagismo, controle da erosão, recuperação de solos expostos e formação de áreas verdes.
“Estamos entrando com uma tecnologia nova de plantio. É um sistema inovador, prático e que não faz bagunça”, concluiu.
Assista à entrevista completa no podcast RuralCast, pelo canal Olá Rondônia no YouTube:
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