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ASSISTA: Projeto PCD+ Mães Atípicas amplia acolhimento e transforma a vida de famílias em Rondônia

Coordenadora-geral Cleonete Martins de Aguiar apresentou ações de capacitação, saúde, inclusão e apoio às mulheres que dedicam suas vidas ao cuidado de pessoas com deficiência

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Inclusão também precisa estar presente nos grandes eventos

A presença do Projeto PCD+ Mães Atípicas na 2ª AGROTEC demonstrou que inclusão, responsabilidade social e desenvolvimento devem caminhar juntos.

Durante a entrevista ao RuralCast, Cleonete Martins de Aguiar explicou que o projeto recebeu da Secretaria Municipal de Agricultura o convite para disponibilizar um espaço de acolhimento às pessoas com deficiência durante a feira.

O ambiente permitiu que mulheres com maternidade atípica visitassem a AGROTEC, conhecessem as tecnologias apresentadas e participassem da programação enquanto seus filhos recebiam acompanhamento.

“O nosso projeto tem um lema, que é cuidar de quem cuida.”

Para Cleonete, disponibilizar espaços inclusivos em eventos públicos é fundamental para garantir que mães atípicas e pessoas com deficiência tenham acesso às mesmas experiências oferecidas ao restante da população.

“Estamos aqui com um espaço de acolhimento para que as mães atípicas possam usufruir da feira e tenham um local onde seus filhos sejam acolhidos.”

Projeto nasceu no Instituto Federal de Rondônia

O PCD+ Mães Atípicas é um projeto do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia — IFRO, desenvolvido pelo Campus Porto Velho Zona Norte.

Cleonete, que também atua como professora da instituição, explicou que o projeto reúne ensino, pesquisa e extensão, aproximando o conhecimento produzido dentro do Instituto Federal das necessidades reais da comunidade.

“Por meio da pesquisa e da extensão, a gente acessa a comunidade e leva para a sociedade aquilo que produzimos, tentando atender às suas demandas.”

A coordenadora também destacou a importância das parcerias com órgãos públicos, empresas, entidades do terceiro setor e instituições que atendem pessoas com deficiência.

Essa união permite que o conhecimento técnico, os recursos e os profissionais cheguem às famílias que mais precisam.

“Com a parceria do poder público e do terceiro setor, conseguimos alcançar as pessoas que necessitam daquilo que produzimos.”

Um projeto para cuidar das mulheres que cuidam

O PCD+ Mães Atípicas surgiu a partir da necessidade de olhar para as mulheres que dedicam grande parte de suas vidas aos cuidados de filhos ou familiares com deficiência.

Em muitos casos, essas mães precisam abandonar o trabalho, interromper os estudos e reorganizar completamente suas rotinas. Além da sobrecarga física e emocional, enfrentam dificuldades financeiras, falta de serviços especializados e ausência de uma rede de apoio.

“O projeto nasce com o desejo de cuidar das mulheres com maternidade atípica.”

O atendimento foi estruturado em diferentes eixos, incluindo educação, capacitação profissional, saúde, acolhimento, desenvolvimento tecnológico e apoio à inclusão social.

A proposta não se limita a oferecer uma atividade isolada. O projeto busca criar condições para que a mulher tenha acesso à formação e, ao mesmo tempo, encontre um ambiente seguro para deixar o filho enquanto participa dos cursos.

Capacitação profissional para gerar autonomia

Uma das principais frentes do projeto é a oferta de cursos profissionalizantes. Na primeira etapa, foram formadas 19 turmas e capacitadas aproximadamente 350 mulheres com maternidade atípica.

“Tivemos 19 turmas de capacitação e capacitamos 350 mulheres com maternidade atípica.”

As formações abrangeram áreas que permitem o desenvolvimento de atividades autônomas, incluindo:

  • Empreendedorismo;
  • Marketing digital;
  • Maquiagem;
  • Manicure e pedicure;
  • Design de sobrancelhas;
  • Corte e costura;
  • Beleza e cuidados pessoais.

A escolha dos cursos considerou a realidade dessas mulheres. Muitas não conseguem cumprir jornadas convencionais fora de casa porque precisam acompanhar consultas, terapias e atividades dos filhos.

“Fizemos uma formação para que essa mulher, que muitas vezes não consegue entrar no mercado de trabalho porque precisa cuidar do filho, possa empreender e desenvolver sua profissão em casa.”

Com uma atividade autônoma, a mãe pode organizar os horários de trabalho de acordo com as necessidades da família e conquistar uma fonte própria de renda.

Filhos recebem acompanhamento durante os cursos

Para garantir a participação das mulheres, o projeto criou um espaço de acolhimento para os filhos. Enquanto as mães estudam, as crianças e demais pessoas atendidas participam de atividades pedagógicas desenvolvidas por profissionais e estudantes de Pedagogia.

“A mãe está estudando e tem a tranquilidade de saber que seu filho está sendo acolhido e recebendo atendimento profissional.”

Cleonete explicou que pedagogas e acadêmicas do curso de Pedagogia realizam atividades adequadas às necessidades do público.

O modelo permite que mãe e filho sejam atendidos simultaneamente. Enquanto a mulher se qualifica, o filho participa de um trabalho pedagógico e permanece em um ambiente preparado.

“A mãe está se qualificando e o filho também está recebendo um trabalho pedagógico.”

Essa estrutura ajuda a enfrentar uma das principais barreiras encontradas pelas mães atípicas: não ter uma pessoa de confiança ou um espaço adequado para permanecer com seus filhos durante cursos, consultas e compromissos profissionais.

Auxílio contribui para permanência das participantes

As participantes dos cursos também recebem um auxílio estudantil mensal de R$ 100. O recurso ajuda no transporte, na alimentação e em pequenas despesas necessárias para a frequência às atividades.

“Para garantir a permanência e o êxito, essa mulher recebe um auxílio estudantil de R$ 100 mensais enquanto realiza o curso.”

Embora seja um valor complementar, a ajuda pode fazer diferença para famílias que possuem despesas elevadas com medicamentos, terapias, transporte e alimentação.

O projeto procura evitar que dificuldades financeiras provoquem o abandono da capacitação.

Kits ajudam mulheres a iniciarem seus negócios

Ao final de algumas formações, as participantes recebem kits com materiais necessários para começar a trabalhar. A iniciativa contempla cursos relacionados ao empreendedorismo, maquiagem, design de sobrancelhas, manicure e pedicure.

“Ao final de alguns cursos, elas recebem um kit para iniciar o empreendimento.”

O objetivo é fazer com que o conhecimento adquirido seja convertido em oportunidade de renda. Sem os equipamentos e materiais iniciais, muitas mulheres não conseguiriam colocar em prática o que aprenderam.

A estratégia torna a capacitação mais completa: a participante recebe formação, apoio para permanecer no curso, acolhimento para o filho e instrumentos para começar a empreender.

Atendimento também alcança a saúde física e emocional

O PCD+ Mães Atípicas possui ainda um eixo dedicado à saúde e ao bem-estar. As participantes têm acesso a atendimento psicológico, cuidados pessoais e terapias integrativas.

Entre as ações citadas por Cleonete estão serviços de manicure, pedicure, penteados, reiki e outras práticas voltadas à autoestima e ao cuidado pessoal.

“Ela recebe a capacitação profissional, mas também trabalha o psicológico e o físico.”

A proposta reconhece que a sobrecarga do cuidado pode fazer com que essas mulheres deixem suas próprias necessidades em segundo plano. Por isso, o projeto procura criar momentos nos quais elas possam olhar para si mesmas e recuperar a autoestima.

Mais de 11 mil atendimentos em saúde

Na primeira etapa, o projeto ofereceu atendimentos odontológicos e oftalmológicos às famílias atípicas. Os serviços não ficaram restritos às mães, alcançando também os filhos, companheiros e outros integrantes do núcleo familiar.

“Nós tivemos mais de 11 mil atendimentos na área da saúde.”

Parte dos serviços foi realizada por empresas contratadas, inclusive por meio de unidades móveis e mutirões. Nos casos necessários, foram disponibilizados atendimentos odontológicos especializados.

Cleonete destacou que pessoas com deficiência podem precisar de procedimentos diferenciados, inclusive sedação em determinados atendimentos odontológicos.

“Tivemos atendimentos mais especializados nos casos que necessitavam, inclusive procedimentos odontológicos com sedação.”

Essa adaptação é importante porque muitas famílias encontram dificuldade para acessar profissionais preparados para atender pessoas com deficiência, especialmente crianças que apresentam sensibilidade, limitações de comunicação ou necessidade de acompanhamento específico.

Consultas oftalmológicas e entrega de óculos

Na segunda etapa do projeto, os municípios contemplados receberão atendimento oftalmológico. A ação inclui consultas e entrega de óculos para quem apresentar necessidade.

“Todos esses municípios receberão atendimento oftalmológico, com consulta e entrega dos óculos.”

A iniciativa procura atender a uma demanda recorrente entre as famílias. Problemas de visão não identificados podem prejudicar a aprendizagem, a mobilidade e a autonomia das pessoas com deficiência.

Parcerias ampliam o alcance das ações

A primeira etapa do projeto atendeu Porto Velho e Ji-Paraná. Para realizar as atividades, o IFRO estabeleceu parcerias com instituições que já possuem experiência no acompanhamento de pessoas com deficiência e de suas famílias.

Em Porto Velho, foram desenvolvidas ações em parceria com entidades como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais — APAE e a Associação de Mães de Autistas — AMA. Em Ji-Paraná, o Instituto Evolução colaborou com a execução das atividades.

“Foi uma parceria maravilhosa. Nós aprendemos muito com o Instituto Evolução.”

As parcerias também possibilitaram investimentos em estrutura tecnológica e educacional. Foram adquiridos laboratórios de informática, robótica, realidade aumentada e corte e costura para fortalecer o atendimento.

Esses ambientes continuarão sendo utilizados pelas instituições parceiras, ampliando o impacto do projeto para além do período de realização dos cursos.

Realidade aumentada e robótica na 2ª AGROTEC

No espaço do projeto dentro da AGROTEC, o público também pôde conhecer ações tecnológicas desenvolvidas pelo IFRO.

Além do ambiente de acolhimento, foram apresentados um laboratório de realidade aumentada e atividades do projeto Elas — Meninas na Robótica, com participação de estudantes do Ensino Médio.

“Estamos trabalhando tanto o social quanto o tecnológico, porque o Instituto é de educação, ciência e tecnologia.”

A integração mostrou que inovação e inclusão não são temas separados. A tecnologia pode ser utilizada para desenvolver habilidades, ampliar experiências educacionais e criar novas possibilidades de aprendizagem para pessoas com diferentes necessidades.

Projeto avança para outros municípios

Depois dos resultados alcançados na primeira etapa, o PCD+ Mães Atípicas iniciou sua expansão para mais dez municípios de Rondônia, além de Porto Velho.

Entre as localidades mencionadas durante a entrevista estão:

  • Candeias do Jamari;
  • Itapuã do Oeste;
  • Urupá;
  • Vale do Anari;
  • Alto Paraíso;
  • Alvorada do Oeste;
  • Rio Crespo;
  • Cacoal;
  • Colorado do Oeste;
  • Costa Marques.

Segundo Cleonete, equipes estão sendo organizadas em cada município e iniciaram contato com associações, APAEs, AMAs e outras organizações locais.

“Já lançamos o projeto, contratamos equipes nos municípios e estamos organizando os profissionais que atenderão as mães.”

A expansão representa um passo importante para alcançar famílias que vivem longe da capital e possuem ainda mais dificuldade para acessar atendimento especializado.

Demora para obter laudo é um dos principais desafios

Durante o RuralCast, Cleonete também falou sobre os problemas enfrentados pelas famílias antes e depois da identificação de uma deficiência ou condição específica.

Um dos maiores obstáculos é a demora para conseguir o diagnóstico e o laudo médico dos filhos.

“Um dos grandes desafios da maternidade atípica é conseguir o laudo do filho.”

A obtenção do documento pode exigir avaliação de diferentes profissionais. Entretanto, Rondônia possui uma quantidade limitada de especialistas, que frequentemente trabalham com agendas lotadas.

“Tem gente que só consegue o laudo muito tempo depois. Nós temos pouquíssimos profissionais em Porto Velho e em Rondônia como um todo.”

Sem o laudo, as famílias podem enfrentar dificuldades para obter terapias, atendimento educacional especializado, benefícios e outros direitos.

O projeto tentou incorporar esse atendimento em sua primeira etapa, mas encontrou obstáculos relacionados à complexidade das avaliações e à escassez de profissionais especializados.

Mercado de trabalho também representa uma barreira

Outra dificuldade é o acesso das mães atípicas ao mercado de trabalho. A rotina de cuidado, as consultas e a falta de alguém para permanecer com o filho tornam difícil manter um emprego convencional.

É nesse problema que o projeto atua de forma mais direta, por meio da capacitação e do incentivo ao empreendedorismo.

“Estamos dando oportunidade para que ela se capacite. Se quiser empreender, estará preparada; se conseguir entrar no mercado de trabalho, também estará preparada.”

A autonomia financeira contribui para melhorar a qualidade de vida da família, aumentar a autoestima da mulher e reduzir sua dependência econômica.

Rede de apoio transforma trajetórias

Além dos serviços oferecidos, o projeto favoreceu a criação de uma rede de apoio entre as participantes. Mulheres que enfrentam desafios semelhantes passaram a compartilhar experiências, informações e oportunidades.

“Essas mulheres se conectaram, olharam para si como mulheres e criaram uma rede de apoio.”

Algumas mães atendidas pelo projeto decidiram continuar os estudos e ingressaram no curso superior de Pedagogia. Atualmente, algumas delas trabalham nas próprias ações do PCD+ Mães Atípicas.

“Temos mães atípicas que, por causa do projeto, entraram em uma graduação e hoje estão trabalhando conosco.”

Essas histórias demonstram que acolher uma mulher pode provocar mudanças em todo o núcleo familiar. O acesso à educação, ao trabalho e à saúde aumenta a capacidade de enfrentar os desafios da maternidade atípica.

“Se uma mãe está bem, a família vai ficar bem.”

Divulgação é fundamental para alcançar mais famílias

Cleonete observou que um dos desafios atuais é fazer com que as informações cheguem às pessoas que mais necessitam dos serviços.

Mesmo quando as ações estão disponíveis, algumas famílias deixam de participar porque desconhecem o projeto ou não sabem onde procurar atendimento.

“Temos muito a oferecer, mas às vezes não conseguimos alcançar todas as pessoas que gostaríamos.”

Por isso, a coordenadora pediu que as mães e as entidades compartilhem as informações com outras famílias. Quanto maior a divulgação, maior será a capacidade de transformar vidas.

“Traga outras mulheres e divulgue o nosso projeto, porque, quanto mais mães alcançarmos, mais famílias poderão transformar suas vidas.”

A entrevista completa com Cleonete Martins de Aguiar está disponível no canal Olá Rondônia, no YouTube:




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