Produção de Jaru é apresentada no RuralCast
A produção de cacau de qualidade e a fabricação artesanal de chocolates em Rondônia foram destaques em mais uma edição do RuralCast, podcast do Grupo Amazun exibido no canal do YouTube Olá Rondônia.
Gravada durante a 2ª AGROTEC, em Porto Velho, a entrevista foi apresentada por Lenilson Guedes e contou com a participação de Eder Coimbra, produtor e responsável pela Cacau do Vale, empreendimento familiar localizado no município de Jaru.
Durante a conversa, Eder apresentou a história da marca, explicou as etapas necessárias para produzir um chocolate de qualidade e falou sobre a importância de agregar valor ao cacau dentro da própria propriedade.
“Nós somos produtores de cacau e também fabricamos o chocolate”, afirmou Eder Coimbra.
A Cacau do Vale participa de toda a cadeia produtiva, desde a escolha das variedades e o cultivo dos cacaueiros até a colheita, fermentação, secagem, torra e transformação das amêndoas em chocolate.
Chocolate de verdade começa no campo
Segundo Eder, a qualidade do chocolate não depende somente das máquinas ou da receita utilizada na fábrica. O resultado começa ainda na lavoura, com a escolha da variedade, o manejo da plantação e a colheita dos frutos no momento adequado.
“O chocolate começa na produção. Para ter um cacau de qualidade, é preciso ter a semente certa, fazer a fermentação correta, realizar a secagem e chegar ao ponto certo da torra”, explicou.
O produtor ressaltou que qualquer erro cometido durante essas etapas pode interferir diretamente no aroma, no sabor, na textura e na qualidade final do chocolate.
É justamente esse controle completo da cadeia que diferencia o sistema conhecido como “tree to bar”, expressão que pode ser traduzida como “da árvore à barra”. Nesse modelo, o mesmo empreendimento produz o cacau e fabrica o chocolate, mantendo maior controle sobre a origem e o processamento da matéria-prima.
Empresa familiar nasceu a partir do conhecimento
A Cacau do Vale é uma empresa familiar e teve na mãe de Eder uma de suas principais incentivadoras. De acordo com o produtor, o interesse pela fabricação de chocolates cresceu após uma visita à Bahia, estado reconhecido nacionalmente por sua tradição na cacauicultura.
A partir desse contato com novas técnicas e conhecimentos, a família passou a investir na fabricação de um produto próprio em Jaru.
“A minha mãe é a mentora da empresa. Ela visitou a Bahia, conheceu uma fábrica e surgiu o interesse de fazer um chocolate diferente”, contou.
O empreendimento foi estruturado para integrar produção e fabricação, aproveitando o potencial do cacau cultivado em Rondônia e oferecendo ao consumidor um chocolate artesanal com identidade regional.
Clones e variedades adaptados a Rondônia
Outro assunto abordado no RuralCast foi a escolha de variedades e clones de cacau. A propriedade trabalha com diferentes materiais genéticos, incluindo variedades selecionadas para a fabricação de chocolates especiais.
Eder explicou que a adaptação às condições climáticas de Rondônia é um dos critérios utilizados na escolha dos cacaueiros. Nem todas as variedades apresentam o mesmo desempenho no estado, razão pela qual é necessário avaliar produtividade, resistência, adaptação e características sensoriais.
Entre os materiais citados durante a entrevista estão clones e variedades conhecidos pelos produtores como PS-19, CCN-51, Ipiranga, além de outros materiais mantidos na propriedade.
“Nós temos várias variedades na fazenda. A ideia é formar uma vitrine tecnológica para quem deseja conhecer ou montar uma lavoura de cacau”, explicou.
Essa diversidade também influencia os chocolates e os demais produtos. Cada variedade pode apresentar características próprias de aroma, acidez, sabor e produtividade.
Fermentação define a qualidade das amêndoas
A fermentação foi apontada como uma das etapas mais importantes para a produção de cacau especial. É durante esse período que começam a se desenvolver as características que posteriormente estarão presentes no chocolate.
Segundo Eder, a fermentação pode durar entre cinco e sete dias, dependendo das condições climáticas, da variedade utilizada e do comportamento da massa de cacau.
“O tempo varia de cinco a sete dias, dependendo do clima. É preciso acompanhar a temperatura e fazer as viradas do cacau”, explicou.
O processo exige monitoramento constante. As sementes são colocadas em caixas adequadas, e a temperatura pode chegar a aproximadamente 45 graus. Durante o período, o produtor precisa observar o aumento e a redução da temperatura e realizar as movimentações necessárias.
As caixas também precisam ser produzidas com madeira adequada, evitando que odores ou sabores indesejados sejam transferidos às amêndoas.
Depois da fermentação, o cacau segue para a secagem. As amêndoas são posteriormente avaliadas para verificar se o processo ocorreu corretamente.
“Depois de seco, é feita a análise da semente para saber se o cacau foi realmente fermentado. O cacau especial possui um preço diferenciado”, destacou.
Mel do cacau amplia aproveitamento da fruta
O mel do cacau também chamou a atenção durante a entrevista. Apesar do nome, o produto não é produzido por abelhas. Trata-se do néctar extraído da polpa branca que envolve as sementes do fruto.
A extração pode ser realizada por diferentes métodos. Na Cacau do Vale, o processo é feito por prensagem, permitindo retirar parte do líquido sem inutilizar as sementes, que continuam sendo utilizadas na produção do chocolate.
“O mel do cacau é um subproduto. Na hora em que o fruto é quebrado, as sementes são selecionadas e o néctar é retirado”, explicou Eder.
O sabor e o nível de acidez do mel podem variar conforme o clone ou a variedade de cacau. O aproveitamento desse néctar contribui para reduzir desperdícios e criar uma nova fonte de renda dentro da cadeia produtiva.
Além do valor comercial, o produto carrega uma memória afetiva para muitas famílias ligadas à cacauicultura, que tradicionalmente consumiam o líquido presente na polpa do fruto.
Chocolates com diferentes concentrações de cacau
A Cacau do Vale fabrica diferentes versões de chocolate artesanal. Entre os produtos apresentados estão chocolates com 50% e 70% de cacau, além de opções elaboradas com ingredientes regionais.
O chocolate ao leite com 50% de cacau é produzido com açúcar demerara, escolha que também representa um diferencial na formulação. Já o chocolate com 70% possui maior concentração de cacau e não leva leite.
“É chocolate de verdade, não apenas sabor chocolate”, ressaltou o produtor.
A marca também apresentou uma versão de chocolate branco produzida com leite e óleo de coco, além de uma opção com açaí, unindo dois sabores ligados à biodiversidade amazônica.
O portfólio ainda inclui nibs de cacau, chocolate em pó 100% cacau e mel do cacau.
Nibs preservam características do cacau
Durante a entrevista, Eder explicou que os nibs correspondem aos pedaços da amêndoa de cacau depois da torra e da retirada da casca.
O produto não recebe adição de açúcar e pode ser consumido puro ou utilizado em diferentes preparações, como iogurtes, frutas e receitas culinárias.
“O nib é o cacau torrado, sem casca e sem açúcar. Pode ser usado no lugar da granola e consumido com iogurte”, explicou.
A variedade de produtos demonstra que o cacau pode ser aproveitado de diferentes maneiras, ultrapassando a fabricação da barra tradicional de chocolate.
Controle da cadeia aumenta o valor do produto
Ao controlar as etapas desde a lavoura até a fabricação, a família consegue agregar valor à matéria-prima. Em vez de comercializar somente as amêndoas, a propriedade oferece um produto final com identidade própria.
O processo envolve plantio, manejo, colheita, quebra dos frutos, fermentação, secagem, armazenamento, torra e fabricação.
“A intenção principal é agregar valor ao produto”, resumiu Eder Coimbra.
Entretanto, o produtor reconheceu que a fabricação de chocolates exige investimento. Máquinas específicas possuem custo elevado e nem todos os pequenos produtores conseguem estruturar uma unidade industrial.
Mesmo sem fabricar o chocolate, o agricultor pode melhorar a renda ao produzir um cacau especial, realizando corretamente a fermentação e a secagem. Um produto de maior qualidade pode alcançar mercados e preços diferenciados.
Diversificação ajuda a fortalecer as propriedades
Eder também defendeu a diversificação como estratégia para melhorar a renda no campo. Para o produtor, depender de apenas uma atividade aumenta os riscos da propriedade rural.
“O produtor precisa agregar valor à propriedade. Não pode colocar todos os ovos em uma cesta; é preciso diversificar a produção”, afirmou.
Uma propriedade pode combinar o cultivo de cacau com café, produção de leite e outras atividades adaptadas à realidade da família. Esse modelo permite distribuir melhor o trabalho e gerar renda em diferentes períodos.
A produção em menor escala e com participação familiar também pode ser uma alternativa diante de um dos principais gargalos atuais do campo: a falta de mão de obra.
Segundo Eder, empreendimentos muito grandes exigem mais trabalhadores, enquanto a produção diversificada e familiar pode ser administrada de forma mais equilibrada.
AGROTEC abre espaço para novos negócios
A participação na 2ª AGROTEC foi considerada importante para a divulgação dos chocolates e para a aproximação com consumidores, produtores e potenciais parceiros.
Eder contou que a Cacau do Vale já havia participado da edição anterior, quando obteve um resultado positivo nas vendas. O empreendimento retornou à feira para apresentar novamente seus produtos e fortalecer a marca.
“No ano passado foi um sucesso de vendas. Voltamos para apresentar o nosso trabalho e criar novas oportunidades”, relatou.
Além de comercializar chocolates, a participação no evento permite trocar informações com agricultores interessados em iniciar uma lavoura, melhorar o beneficiamento das amêndoas ou agregar valor à produção.
Cacau de Rondônia ganha identidade própria
A entrevista evidenciou que Rondônia possui condições para produzir cacau de qualidade e desenvolver chocolates artesanais com características próprias.
Com controle da matéria-prima, fermentação adequada, diversidade de clones e aproveitamento integral do fruto, a Cacau do Vale mostra como a produção rural pode avançar para a industrialização.
O empreendimento familiar também fortalece a economia de Jaru, valoriza os produtos de Rondônia e aproxima o consumidor da origem dos alimentos.
A Cacau do Vale mantém um ponto de venda na Avenida JK, nº 2.800, Setor 5, em Jaru. Os produtos e as novidades da marca também podem ser acompanhados pelo Instagram @cacau_dovale.
Assista ao episódio completo
Acompanhe a entrevista com Eder Coimbra, da Cacau do Vale, no RuralCast, apresentado por Lenilson Guedes durante a 2ª AGROTEC, em Porto Velho.
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