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RuralCast destaca modelo sustentável dos Paiter Suruí e mostra como café, cacau e floresta caminham juntos na Terra Indígena Sete de Setembro

Durante o Dia de Campo Paiter Suruí, o presidente da Cooperativa Garah Pame, Celso Suruí, falou ao RuralCast sobre os avanços da produção indígena

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RuralCast mostra como o povo Paiter Suruí transforma café, cacau e floresta em um modelo de produção sustentável

Quem chega à Terra Indígena Sete de Setembro percebe rapidamente que a produção agrícola faz parte da rotina das comunidades. Entre lavouras de café, áreas de cacau, pomares e sistemas produtivos integrados à floresta, o conhecimento tradicional caminha lado a lado com a assistência técnica, mostrando que desenvolvimento e preservação podem seguir o mesmo caminho.

Foi esse cenário que recebeu a cobertura especial do RuralCast, podcast apresentado por Adalto Costa, técnico agrícola, economista e representante da AC360 Agro & Cooperativas, durante o Dia de Campo Paiter Suruí, realizado na Comunidade Lapetanha, em Cacoal (RO).

O convidado do episódio foi Celso Lamitxab Suruí, presidente da Cooperativa Indígena Garah Itxá, também conhecida como Garah Pame, organização que atua na Terra Indígena Sete de Setembro e reúne produtores indígenas comprometidos com uma agricultura baseada na sustentabilidade, na valorização cultural e na geração de renda.

À frente da cooperativa, Celso acompanha de perto o crescimento da produção do Café Paiter, marca que vem conquistando espaço pela qualidade dos Robustas Amazônicos cultivados em sistemas produtivos que respeitam a floresta.

Logo no início da conversa, ele destacou que o Dia de Campo representa um momento importante para compartilhar conhecimento e mostrar à sociedade a realidade da agricultura indígena.

"Esse evento é uma oportunidade para mostrar que o povo indígena produz, trabalha e busca conhecimento para melhorar cada vez mais a qualidade daquilo que coloca no mercado."

Segundo Celso, a transformação começou a ganhar força nos últimos anos com a chegada da assistência técnica, principalmente por meio das capacitações realizadas em parceria com o Senar.

O manejo adequado das lavouras trouxe uma nova realidade para os produtores.

"Aprendemos sobre poda, adubação, irrigação e manejo do café. Isso mudou completamente a nossa produção e hoje conseguimos colher um café muito melhor."

O resultado apareceu não apenas na produtividade, mas principalmente na qualidade do produto.

O Café Paiter passou a receber reconhecimento em concursos e feiras especializadas, fortalecendo o nome dos produtores indígenas e abrindo novas oportunidades de mercado.

Além da cafeicultura, a cooperativa incentiva outras atividades que garantem renda às famílias, como a cacauicultura, apicultura, fruticultura e produção de banana, sempre buscando alternativas compatíveis com a conservação ambiental.

Para Celso, produzir dentro da Terra Indígena exige responsabilidade.

"Nós queremos aumentar nossa produção, mas sem derrubar a floresta. Nossa riqueza também está na mata, nas nascentes e na biodiversidade. É isso que queremos preservar para as próximas gerações."

A preocupação com a sustentabilidade faz parte da identidade da cooperativa.

Presidida por Celso Lamitxab Suruí, a Cooperativa Indígena Garah Itxá (Garah Pame) tornou-se uma das protagonistas da valorização da agricultura indígena em Rondônia, promovendo assistência aos produtores e fortalecendo a comercialização do Café Paiter, um produto que leva ao mercado não apenas qualidade, mas também uma história construída sobre respeito ao território e à cultura do povo Paiter Suruí.

Durante a entrevista ao RuralCast, Celso explicou que o cooperativismo tem sido essencial para organizar a produção e criar oportunidades para as comunidades.

"Quando trabalhamos juntos, conseguimos produzir melhor, negociar melhor e mostrar para o mercado a qualidade do nosso café."

Outro aspecto ressaltado pelo líder indígena foi a importância de aproximar produtores, instituições de pesquisa, cooperativas e órgãos de assistência técnica.

Segundo ele, iniciativas como o Dia de Campo ajudam a levar novas tecnologias às aldeias sem perder de vista os conhecimentos tradicionais.

"O conhecimento técnico fortalece o nosso trabalho, mas nunca substitui aquilo que aprendemos com nossos ancestrais. Uma coisa complementa a outra."

Ao longo do episódio, fica evidente que a agricultura desenvolvida pelos Paiter Suruí vai muito além da produção de alimentos.

Ela representa autonomia econômica, fortalecimento cultural e uma nova forma de enxergar o desenvolvimento sustentável dentro da Amazônia.

Ao encerrar a entrevista, Celso fez um convite para que a sociedade conheça de perto a realidade da comunidade.

"Queremos que as pessoas conheçam nosso trabalho, valorizem nossos produtos e entendam que é possível produzir preservando a floresta. Esse é o caminho que escolhemos seguir."

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